Essa é uma lista de leitura que acredito ser uma boa introdução ao pensamento dos perenialistas. René Guénon não é um escritor "fácil", ao contrário de Frithjof Schuon, de leitura muito mais digerível, mas cuja escrita quase poética, se não embasada por uma boa compreensão do por vezes intragável Guénon, pode conduzir seus leitores a um maravilhamento freqüentemente ilusório, lendo sua metafísica como se se tratasse de religião. Guénon é "onde tudo começou" e sua leitura é presumida pelos que continuam sua obra, mesmo que tenham divergido de algumas de suas conclusões (todos os links abaixo são para as versões integrais dos livros disponibilizadas gratuitamente em espanhol):1ª leitura: "A crise do mundo moderno", de René Guénon.Para saber o que há de errado com o pensamento, os valores e os ideais de nossa época.
2ª leitura:
Certifique-se de que possui uma razoável compreensão da metafísica platônica, aristotélica e neoplatônica. Não é necessário nem mesmo ler os originais: é suficiente a "História da Filosofia", de Giovanni Reale e Dario Antiseri, vol. I, capítulos:
"A religião pública e os mistérios órficos", páginas 16 a 19, "A fundação da metafísica", itens 2.1 a 2.3, páginas 134 a 142. "A metafísica", páginas 178 a 191. de "O 'Uno' como princípio primeiro absoluto, produtor de si mesmo" até "Originalidade do pensamento plotiniano: a contemplação criadora", páginas 340 a 350.
Nessa leitura, preste especial atenção aos conceitos mais importantes: as idéias platônicas; hyle, eidos e categorias aristotélicas; e as hipóstases de Plotino.
3ª leitura: "O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos", de René Guénon.
Somente até o 7º capítulo. O restante é muito importante, mas é a aplicação de conceitos que ficarão mais claros quando você chegar ao final da lista. Não desvie sua atenção para esse outros capítulos ainda.
4ª leitura: "Ciência Moderna e Sabedoria Tradicional", de Titus Burckhardt (versão online ou compactada para download).
Capítulos 1 a 4 somente.
5ª leitura: "O Esoterismo", de Luc Benoist.
De leitura bem mais fácil, funcionará como uma revisão do que já foi lido até agora, dando-lhe unidade e propósito e preparando para as leituras posteriores, muito mais difíceis. Não o recomendei como primeira leitura porque daria uma falsa impressão de estar falando de "religião", o mesmo erro que condeno na leitura precipitada de Schuon.
6ª leitura: "Sobre os anjos" (coletânea de trechos de livros de Guénon).
Inclui também livros que estão listados abaixo. A seleção e disposição dos trechos torna mais compreensível sua metafísica e cosmologia, apesar de muitos deles ainda permanecerem de difícil compreensão, sobretudo, para os que não têm intimidade com o assunto, os que se referem à cabala. Não se preocupe com isso e leia-o mesmo assim.
7ª leitura: "O homem e seu porvir segundo o Vedanta", de René Guénon.
Extremamente recomendável como preparo para a leitura do próximo.
8ª leitura: "Os estados múltiplos do ser", de René Guénon.
Considero a mais importante obra de Guénon, condensando a exposição da metafísica que embasou todas as grandes civilizações, com exceção do mundo moderno. Se na 1ª leitura ele aponta os desvios, aqui ele expõe o que falta para consertá-los.
Para ajudar a visualizar a cadeia do ser exposta no livro, um boa dica é que sua leitura seja acompanhada pela consulta a esses esquemas:
Ponto de vista macroscósmico e Ponto de vista microscósmico.
9ª leitura: "Morte, esoterismo e reencarnação", de Alexander J.
Assim como a 5ª leitura, permitirá rever tudo o que foi lido até agora, dando-lhe unidade e sentido.
10ª leitura: "O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos", de René Guénon.
Do 8º ao último capítulo. Complementam a "Crise do Mundo Moderno", mas com muito maior profundidade, que agora pode ser melhor compreendida e aproveitada.
A partir de então, recomendo a leitura de toda a obra de Guénon em ordem cronológica, inclusive relendo seus livros que já constam acima. Somente então, recomendaria a leitura de Frithjof Schuon, especialmente seu "Unidade Transcedente das Religiões". Publicado pelo Caio Rossi no Evanessências
Escrito por Dídimo às 18h01
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SOBRE O MODO DE ESTUDAR Tomás de Aquino Já que me pediste, frei João - irmão, para mim, caríssimo em Cristo -, que te indicasse o modo como se deve proceder para ir adquirindo o tesouro do conhecimento, devo dar-te a seguinte indicação: deves optar pelos riachos e não por entrar imediatamente no mar, pois o difícil deve ser atingido a partir do fácil. E, assim, eis o que te aconselho sobre como deve ser tua vida: 1. Exorto-te a ser tardo para falar e lento para ir ao locutório. 2. Abraça a pureza de consciência. 3. Não deixes de aplicar-te à oração. 4. Ama freqüentar tua cela, se queres ser conduzido à adega do vinho da sabedoria. 5. Mostra-te amável com todos, ou, pelo menos, esforça-te nesse sentido; mas, com ninguém permitas excesso de familiaridades, pois a excessiva familiaridade produz o desprezo e suscita ocasiões de atraso no estudo. 6. Não te metas em questões e ditos mundanos. 7. Evita, sobretudo, a dispersão intelectual. 8. Não descuides do seguimento do exemplo dos homens santos e honrados. 9. Não atentes a quem disse, mas ao que é dito com razão e isto, confia-o à memória. 10. Faz por entender o que lês e por certificar-te do que for duvidoso. 11. Esforça-te por abastecer o depósito de tua mente, como quem anseia por encher o máximo possível um cântaro. 12. Não busques o que está acima de teu alcance. 13. Segue as pegadas daquele santo Domingos que, enquanto teve vida, produziu folhas, flores e frutos na vinha do Senhor dos exércitos. Se seguires estes conselhos, poderás atingir o que queres. Saudações. Tradução de Jean Laund.
Escrito por Dídimo às 02h45
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SEGUNDA-FEIRA 23/11/2009
9:00 às 10:30 – Palestras de abertura
Considerações sobre o papel do princípio de indução no construtivismo matemático de Poincaré Prof. Draª Camila Jourdan
Propriedade, Verdade, e Compromisso Ontológico Sérgio Ricardo Schultz (Doutorando PUC-Rio)
10:45 às 12:15 – Mesa 1
Problemas na aplicação de critérios de identidade a entes abstratos Ana Maria Corrêa Moreira da Silva Doutoranda em Filosofia – PUC-Rio
Considerações acerca do conceito de matéria intencional nas Investigações Lógicas de Husserl Paulo Mendes Taddei Doutorando em Filosofia – PPGF-UFRJ
O mundo e seus duplos – Os obstáculos do realismo de mundos possíveis na análise de contrafactuais Pedro Mendes de Lemos Mestrando em Filosofia – PUC-Rio
14:30 às 16 – Mesa 2
Uma apresentação de Richard Dedekind Pedro Henrique Passos Carné Mestrando em Filosofia – PUC-Rio
A fragilidade da relação entre teoria e experiência: Uma análise da subdeterminação Nastassja Pugliese Mestranda em Filosofia – PUC-Rio
Por que a tese da independência lógica das proposições elementares é tão problemática? Marcos Silva Doutorando em Filosofia – PUC-Rio
17:00 às 19:00 – Conferência
Nominalismo Prof. Dr. Desidério Murcho (UFOP) Prof. Dr. Oswaldo Chateaubriand Filho (PUC-Rio)
TERÇA-FEIRA 24/11/2009
9:00 às 11:00 – Mesa 3
Considerações sobre o juízo estético a partir do texto de Thierry de Duve, Kant depois de Duchamp Alexandra de Almeida Doutoranda em Filosofia – PUC-Rio
Relação entre Desinteresse e Universalidade no sentimento do belo à luz da Critica da Faculdade do Juízo Júlia Casamasso Mattoso Mestranda em Filosofia PUC-Rio
Arte em Schopenhauer: intuição estética e música André Luiz Bentes Mestrando em Filosofia – PUC-Rio.
Deleuze e John Ford: O faroeste e a verdade da imagem Rodrigo Cazes Costa Doutorando em Literatura Brasileira – PUC-Rio
11:15 às 12:15 – Palestra
Ironia, pátria da arte e da filosofia Prof. Dr. Pedro Duarte
14:00 às 15:30 – Mesa 4
A hiper-ficcionalidade no pensamento de Derrida Maria Continentino Mestranda em Filosofia – PUC-Rio
O conceito de acontecimento em Gilles Deleuze Angelica de Britto Pereira Pizarro Doutoranda em Filosofia – PUC-Rio
A atenção e a intervenção da memória em Bergson Pedro Bonfim Leal Doutorando em Filosofia – PUC-Rio
16:00 às 17:30 – Mesa 5
A plástica besta loira Felipe Gustavo Alves Moreira Mestrando em filosofia – PUC-Rio
A Nomeação em Nietzsche Tomás Mendonça da Silva Prado Doutorando em Filosofia – PUC-Rio
Nietzsche, antigermanismo e cultura Bernardo Carvalho Oliveira Doutorando em Filosofia PUC-Rio
QUARTA-FEIRA 25/11/2009
9:00 às 10:00 – Palestra
O que é uma vida humana? Prof. Dr. Mauricio Rocha – UERJ
10:15 às 11:45 – Mesa 6 É possível distinguir ética e moral na Ethica Nichomachea de Aristóteles? Cláudia Maria Barbosa Mestranda em Filosofia – PUC-Rio
Reflexões sobre a irracionalidade do mal Fábio dos Santos Creder Lopes Doutorando PUC-Rio
Enganar o outro para dentro da verdade? Kierkegaard e a comunicação existencial Thiago Faria Mestre em filosofia – PUC-Rio
14:00 às 16:00 – Mesa 7
Autoria e interpretação – a filosofia da composição no jazz Marcelo Costa Pereira Caldas Mestrando em Filosofia – PUC-Rio
Arte e liberdade – A constituição da obra literária pela relação do escritor com o leitor Marcelo S. Norberto Mestrando em Filosofia – PUC-Rio
Estudo preliminar sobre função autor – Foucault e Agamben Daniel Simão Nascimento Doutorando em Filosofia – PUC-Rio
Um comentário sobre a história e a política em Michel Foucault Bruno Lorenzatto Parreira da Cruz Mestrando em Filosofia – PUC-Rio
17:00 às 19:00 – Conferência
Proximidade, mas não coincidência: a herança foucaultiana de Giorgio Agamben Prof. Dr. Cláudio Oliveira (UFF) A propósito de “Introdução à política”, de Hannah Arendt. Prof. Dr. Eduardo Jardim (PUC-Rio)
QUINTA-FEIRA 26/11/2009
9:00 às 10:00 – Conferência
Prof. Dr. Fernando Rodrigues (UFRJ)
10:15 às 12:15 – Mesa 8
O uso da dialética em Sócrates, Platão e Aristóteles. Rafael Rodrigues Pereira Doutorando em Filosofia PUC-Rio
Górgias e a poesia Carlos Monteiro Junior Mestrando em Filosofia PUC-Rio
A possibilidade da verdade em Górgias Renata Renovato Martins Mestranda em Filosofia – PUC-Rio
Ontologia e Existência na Antiguidade Renato Matoso Brandão Mestre em Filosofia – PUC-Rio
14:00 às 16:00– Mesa 9
Walter Benjamin. Tempo, Imagem, Apresentação Ana Luiza Varella Franco Doutoranda em filosofia– PUC-Rio
O tempo da ideia Paula Padilha Mestranda em Filosofia PUC-Rio
Do juízo à crítica em Walter Benjamin Victor Naine de Almeida Mestrando em Filosofia – PUC-Rio
Como contar Beatriz Andreiuolo Doutoranda – PUC-Rio
17:00 às 18 – Conferência
Escrita, Morte, Transmissão Prof. Dr.ªJeanne Marie Gagnebin (PUC-SP e Unicamp)
SEXTA-FEIRA 27/11/2009
9:00 às 11:00 – Mesa 10
O “Cale-se” de Vilém Flusser Lívia Jacob Mestranda em Letras pela PUC-Rio
Pierre Duhem herdeiro da crise pyrrhoniènne do século XVII? Rogério Soares da Costa Doutorando em Filosofia
Descoberta e Invenção: notas sobre Ciência e Ceticismo Gisele Secco Doutoranda em Filosofia – PUC-Rio
Heisenberg, Schrödinger e a Filosofia Grega Marieta Dantas Doutoranda em Filosofia – PUC-Rio
11:15 às 12:15 – Conferência
Heisenberg e a ordenação da realidade Prof. Dr. Antônio Augusto Passos Videira – UERJ
14:00 às 16:00 – Mesa 11
Desmundanização? Um estudo a partir da primeira seção da obra Ser e tempo, de Martin Heidegger Bernardo Boelsums Barreto Sansevero Doutorando em Filosofia – PUC-Rio
Obra de arte e desvendamento ontológico em Martin Heidegger Ione Manzali Mestranda em Filosofia – PUC-Rio
‘Idéias da Razão’ na Crítica da Razão Pura de Kant Douglas Luiz Pereira Doutorando PUC-Rio
As forças leibnizianas no microscópio: o “Specimen dynamicum” Raquel Anna Sapunaru Doutoranda em Filosofia – PUC-Rio
17:00 às 19:00 – Mesa especial com integrantes da Comissão Organizadora da SAF I
19:00 – Encerramento do evento - Lançamento da Revista Analógos IX
Escrito por Dídimo às 00h08
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 A partir das primeiras décadas do século XX, numerosos autores e líderes políticos, provenientes de diversos países e contextos culturais (Corneliu Codreanu, Ernst Jünger, Julius Evola, Otto Strasser, Nikolai Ustrialov, Ernst Niekisch, Carl Schmitt, Giovanni Gentile, etc.) começaram a lançar os alicerces filosóficos, espirituais e políticos do que aqui denominaremos de GRANDE SÍNTESE, vale dizer, a ampla convergência entre as principais correntes de pensamento anticapitalistas, antiliberais e anti-burguesas, por um lado; e por outro, todas as tradições esotéricas (mormente as de cunho não-dualista) da revolta irracionalista contra a ‘Modernidade’ e a 'Sociedade Aberta' ao longo da História. Tal panorama ideológico não constitui, claro está, um quadro estático, nem tampouco é possível estabelecer uma tipologia estanque para ele; amiúde há, com efeito, um constante intercâmbio entre diferentes matrizes filosóficas no seio de um mesmo autor, por exemplo, e até mesmo, em alguns casos, um caótico amálgama de vetores contraditórios. Entre os exemplos pioneiros e emblemáticos deste fenômeno, podemos citar figuras como o escritor alemão Ernst Jünger, a um só tempo predicando, por um lado, a nostalgia da gemeinschaft orgânica, do medievo germânico e, por outro, a ‘mobilização total’ ( Totale Mobilmachung) da sociedade industrial em prol de um estado de guerra permanente, bem como o primado de uma casta aristocrática formada por guerreiros, pensadores e poetas; o também alemão Carl Schmitt, insigne jurista e filósofo político, que defende a tese de que todas as categorias da política têm um fundamento teológico, bem como a noção de que a ‘fenômeno político’ se configura como o terreno privilegiado da contraposição, da disjuntiva 'amigo/inimigo', sem apelo a quaisquer injunções de cunho ético ou racional; o peruano José Carlos Mariátegui, que mesmo sendo marxista, advoga, sob a influência de Sorel e Péguy, que "a força dos revolucionários não está na sua ciência; está na sua fé, na sua paixão, na sua vontade. E uma força religiosa, mística, espiritual. É a força do Mito."; o italiano Julius Evola, senhor d’um estilo inigualável em sua forja majestosa e estratosférico arrebatamento, com sua defesa do retorno aos arcanos da Tradição como combustível espiritual para a revolta contra o mundo moderno; a francesa Savitri Devi Mukherji (nascida Maximiani Portaz), cuja obra é um ousado e fascinante exercício de incorporação da mística nacional-socialista aos princípios do Vedanta; d'entre outros autores. Outrossim, há também um conjunto de pensadores e líderes políticos que, conquanto ideológica ou historicamente não possam ser associados à Grande Síntese, decerto apresentam contributos de inestimável valor para o projeto em pauta, dentre os quais poderíamos mencionar, por exemplo, os seguintes: Ernesto ‘Che’ Guevara e sua índole inequivocamente kshatriya, isto é, o arquétipo védico do GUERREIRO, do homem para quem o combate é, em si mesmo, um veículo de realização espiritual; o fervor militante, o ímpeto marcial, a 'ira santa' de Santo Inácio de Loyola e sua excelsa ordem, a Societas Iesu, os gloriosos 'soldados da Igreja'; Vladimir Lenin, no que tange à sagacidade tática com que concebeu e organizou o regimento interno do Partido Bolchevique, especialmente em seu aspecto de máquina partidária monolítica e disciplinada integrada por revolucionários 'profissionais; o Ayatollah Khomeini, que não canalizou politicamente o Islã para fazer a revolução iraniana, ou seja, não fez uso da religião para agir politicamente, mas sim lançou mão da política para atuar religiosamente em prol da regeneração espiritual e moral de seu país; etc. Aliás, é mister salientar que, na esfera mais propriamente ‘política’ do projeto da Grande Síntese, a superação da falsa dicotomia entre 'esquerda' e 'direita', que gerou as grandes tragédias políticas e militares da modernidade, é sem dúvida a grande tarefa a que se propõe a chamada Terza Posizione, termo cunhado em 1978 com a criação do movimento político homônimo em Itália, sob a liderança de Peppe Di Mitri, e tendo como principais ideólogos Roberto Fiore e Gabriele Adinolfi. Com efeito, torna-se cada vez mais evidente a existência d'uma oposição irreal, ditada por meras circunstâncias transitórias de índole 'política', 'econômica' e 'cultural', entre dois campos semânticos e simbólicos unidos por um profundo elo metafísico: a revolta sagrada do Espírito contra a ditadura ‘funcionalista’ da Razão 'instrumental'; do impulso romântico-messiânico contra os falsos ídolos do pragmatismo burguês; da esfera necessária, permanente, imutável e infinita da ETERNIDADE contra a dimensão contingente, transitória, cambiável e finita do TEMPO (ou então, nos termos d'uma belíssima declaração do líder taliban mullah Omar: "não tememos a morte, pois já estamos mortos; assim sendo, vivemos no Tempo, mas combatemos na Eternidade."); enfim, do rutilante fulgor da TRADIÇÃO contra a pseudoconsciência errática e fragmentária da MODERNIDADE. E malgrado Di Mitri, Fiore e Adinolfi tenham cunhado o termo e, de certa forma, delineado os aspectos gerais do pensamento Terza Posizione, penso que o filósofo russo Aleksandr Dugin (tido, aliás, como um dos principais conselheiros políticos de Vladimir Putin, ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia) é hoje, mormente em relação a questões de geopolítica, o pensador mais ousado no âmbito de tal perspectiva ideológica. A grande 'estratégia' duginiana , por assim dizer, é justamente trabalhar, no âmbito da noção de 'geografia sagrada', categorias de análise tradicionalmente empregues na reflexão geopolítica. E em que consiste tal noção? Enquanto a geopolítica opera na esfera do cálculo econômico, das relações comerciais, do paralelogramo das forças políticas em ação, a 'geografia sagrada' mergulha no universo dos Arquétipos Tradicionais e Mitos Fundadores, isto é, no escopo do substrato simbólico presente na origem de cada complexo civilizacional. E tal processo envolve, na esfera mais especificamente político-ideológica, a busca pela seiva vital das tradições culturais e civilizações de índole telurocrática e / ou eurasiana, isto é, dos complexos civilizacionais cujos alicerces mais profundos vão de encontro ao 'atlantismo talassocrático’, à 'Sociedade Aberta', ao iluminismo e ao liberalismo. Retirado do grupodeur.blogspot.com
Escrito por Dídimo às 01h29
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Instrumentalização do ensino e ilusãoDesidério Murcho Universidade Federal de Ouro Preto Geralmente não uso o termo “educação”; prefiro o termo “ensino”. Faço-o pelas mesmas razões que os defensores iluministas do ensino universal falavam de instrução, e não de educação: porque se opunham à instrumentalização do ensino — ideológica, política, religiosa ou social. Acontece que, infelizmente, hoje em dia parece cada vez mais que falar de ensino é falar de educação, que muitas vezes é apenas uma forma mentirosa de falar de doutrinação ou lavagem ao cérebro. Qual é a diferença? Quem defende o ensino com base no valor intrínseco do que é ensinado, como é o meu caso, tende a desconfiar das instrumentalizações do ensino — por melhores que sejam as intenções. Quando me falam de educação para a cidadania já sei que logo a seguir vem a ideia de doutrinação: vamos doutrinar as crianças e jovens para qualquer coisa. E a mim não me interessa o que vamos doutrinar — o problema é a doutrinação. Uma vez mais, qual é a diferença? O maior desafio do ensino de excelência é dar autonomia intelectual aos estudantes. E esse, do meu ponto de vista, é o objectivo prioritário. A doutrinação é exactamente o contrário disto: consiste em fazer os estudantes repetir lugares-comuns politicamente correctos sem qualquer atitude crítica perante eles, só porque vêm escritos nos manuais ou foram promovidos pelo Ministério da Educação, ou pelos professores, ou pela sociedade em que se acham por acaso inseridos. A diferença do ensino para a autonomia intelectual é que não se pretende que o estudante aprenda a repetir ideias feitas, mas antes a pôr em causa todas as ideias feitas. Não interessa se essa ideias feitas até são verdadeiras e defensáveis: se forem objecto de doutrinação, tornar-se-ão dogmas mortos nos espíritos dos estudantes e prepararão o terreno para o mais perigoso dos totalitarismos, que é o que foi de tal modo interiorizado que não é sentido como totalitarismo. Fico por isso desconfiado sempre que se instrumentaliza o ensino. Do meu ponto de vista, a razão de ser do ensino é o valor intrínseco do que é ensinado. É importante ensinar filosofia, música, biologia, história, arqueologia, engenharia, e tudo o mais, porque essas coisas são importantes e porque muitos alunos têm talento para essas coisas e não o descobrirão se não contactarem com essas coisas na escola. Que essas coisas têm, depois, por vezes, aplicações sociais importantes é óbvio; queremos ter médicos competentes, e políticos, e engenheiros. Mas estaremos a construir sociedades totalitaristas se só houver competência técnica, mas não houver autonomia intelectual. Se das escolas saírem autómatos que sabem repetir, mas não pensar. Que são incapazes de pôr em causa, por si mesmos, as ideias feitas da sua sociedade, partido, religião, classe social ou etnia. Que só sabem repetir fórmulas matemáticas ou da biologia, teses filosóficas ou históricas, ideias sociológicas ou económicas, sendo totalmente incapazes de as pôr em causa. A ilusão do instrumentalismo educativo é fácil de explicar e é uma parte da velha ilusão da infalibilidade que, como John Stuart Mill bem viu, está por detrás de todos os ataques à liberdade. Vejamos: a mentalidade pública contemporânea é fruto do quê? Do pensamento autónomo da maior parte das pessoas? Claro que não; é fruto da repetição impensada de ideias feitas. Essas ideias feitas foram implantadas na mentalidade das pessoas através da educação, explícita e inexplícita (a educação explícita ocorre sobretudo nas escolas, a inexplícita é dada sobretudo pelos pais, pelos grupos sociais, pela televisão, etc.; mas, claro, uma parte importante da educação inexplícita ocorre também nas escolas). A ilusão suprema de quem instrumentaliza a educação, encarando-a como doutrinação, é pensar que as suas ideias feitas são melhores do que as ideias feitas dos seus antepassados, cujo fruto é a sociedade contemporânea. Mas quem considera que a educação é fundamentalmente um instrumento de mudança social é porque considera que a sociedade que temos hoje não é a melhor. Contudo, sendo ou não a melhor, a verdade é que a sociedade que temos hoje resulta directamente da mentalidade que as pessoas têm e essa mentalidade resulta directamente da educação, sobretudo inexplícita, de que foram vítimas. O que garante então que as ideias que os reformadores sociais actuais querem introduzir sub-repticiamente no ensino são melhores do que as anteriores? Nada, excepto a ilusão de infalibilidade. Toda a gente com fraca experiência de vida e de pensamento pensa que a sua mentalidade, os seus lugares-comuns, os seus valores e ideais são os melhores do mundo. Mas é evidente que isto é uma ilusão porque o mesmo pensavam as pessoas que no passado moldaram as mentalidades presentes, mentalidades que muitos reformadores sociais hoje consideram erradas. Assim, mesmo que se queira instrumentalizar a educação para fazer uma sociedade melhor, o caminho tem de ser a autonomia intelectual dada aos estudantes e não a repetição de gramofone das ideias que nós hoje consideramos bonitas. O caminho, mesmo nesse caso, tem de ser o mesmo caminho que teremos de trilhar caso defendamos que o ensino é importante primariamente por causa da importância intrínseca do que é ensinado, e não porque podemos instrumentalizá-lo para fazer “bons cidadãos”. Esta expressão, “fazer bons cidadãos”, é em si uma contradição nos termos. Uma sociedade humana não pode ser uma sociedade humana florescente se for uma sociedade de formigas, e fazer bons cidadãos envolve necessariamente fazer formigas: cidadãos que repetem conscienciosamente ideias feitas, valores herdados, lugares-comuns e outros artigos de contrabando intelectual. Partidarismo, sectarismo, fanatismo, tribalismo, falta de autonomia — estas são algumas das raízes mais importantes das maiores tolices humanas. E são comuns. São ilusões inscritas nos nossos genes, talvez, tão inevitáveis quanto é inevitável pensar que os objectos mais pesados caem mais depressa ou que a Terra está imóvel. É preciso pensamento crítico, distanciamento epistémico, amor à verdade, probidade intelectual, para pôr em causa essas ilusões inevitáveis. Mas se tudo o que ensinarmos aos alunos é a substituir ideias feitas falsas por outras ideias feitas, ainda que verdadeiras, não teremos resolvido o problema de fundo, que é haver ideias feitas — tanto faz se são verdadeiras ou falsas. O original foi publicado em www.criticanarede.com
Escrito por Dídimo às 14h05
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Nos capítulos anteriores, ocorreu-nos frequentemente falar de tradição, de doutrinas ou de concepções tradicionais, e mesmo de línguas tradicionais, e é aliás impossível proceder de modo diferente quando se quer designar o que constitui verdadeiramente todo o essencial do pensamento oriental sob seus diversos modos; porém, o que é a tradição mais precisamente? Para afastar uma confusão que poderia acontecer, dissemos logo que não tomamos esta palavra no sentido restrito no qual o pensamento religioso do Ocidente opõe às vezes "tradição" e "escrita", entendendo pelo primeiro desses dois termos, de um modo exclusivo, o que foi tão somente o objeto de uma transmissão oral. Para nós, ao contrário, a tradição, numa acepção muito mais geral, pode ser tanto escrita quanto oral, apesar de que, habitualmente, senão sempre, ela deve ter sido antes oral na sua origem, como já foi explicado; mas, no estado atual das coisas, a parte escrita e a parte oral formam em qualquer lugar dois ramos complementares de uma mesma tradição, seja ela religiosa ou não, e não temos nenhuma hesitação ao falar de "escritos tradicionais", o que seria evidentemente contraditório se não atribuíssemos à palavra "tradição" sua significação mais especial; de resto, etimologicamente, a tradição é simplesmente "o que se transmite", de uma maneira ou de outra.
Além disso, é preciso ainda compreender na tradição, a título de elementos secundários e derivados, mas não menos importantes para se ter uma noção completa dela, todo o conjunto das instituições de diferentes ordens que tem seu princípio na própria doutrina tradicional. Assim encarada, a tradição aparentaria se confundir com a própria civilização que é, segundo certos sociólogos, "o conjunto de técnicas, de instituições e de crenças comuns a um grupo de homens durante um certo tempo"(1); mas de que vale ao certo esta última definição? Para falar a verdade, não acreditamos que a civilização seja suscetível de se caracterizar comumente numa fórmula desse gênero, que será sempre ou muito ampla ou muito restrita em certos aspectos, correndo o risco de excluir elementos comuns a toda civilização, e de abarcar em contrapartida outros elementos que só pertencem propriamente a algumas civilizações particulares.
Assim, a definição anterior despreza o que há de essencialmente intelectual em toda civilização, já que se trata de algo que não se poderia incluir no que se chama de "técnicas", que se diz serem "conjuntos de práticas especialmente destinadas a modificar o meio físico"; por outro lado, quando se fala em "crenças", acrescentando-se aliás que esta palavra deve ser "tomada no seu sentido habitual", há aí qualquer coisa que supõe manifestamente a presença do elemento religioso, o qual é, na realidade, específico de certas civilizações e não se reencontra em outras. É para evitar qualquer inconveniente desse gênero que nos contentamos, no início, em dizer simplesmente que uma civilização é o produto e a expressão de uma certa mentalidade comum a um grupo de homens mais ou menos extenso, reservando para cada caso particular a determinação precisa de seus elementos constitutivos.
Apesar disso, não deixa de ser verdade que, no que se refere ao Oriente, a identificação entre a tradição e a civilização por inteiro é, no fundo, justificada: toda civilização oriental, tomada no seu conjunto, nos aparece como essencialmente tradicional, e isto resulta imediatamente das explicações que demos no capítulo anterior. Quanto à civilização ocidental, dissemos que ela é ao contrário desprovida de qualquer caráter tradicional, com exceção de seu elemento religioso, o único que conservou tal caráter. É que as instituições sociais, para poderem ser chamadas tradicionais, devem ser efetivamente ligadas, como ao seu princípio, a uma doutrina que também o seja, seja esta doutrina, aliás, metafísica, religiosa ou de qualquer outra natureza conveniente. Em outros termos, as instituições tradicionais, que comunicam seu caráter a todo o conjunto de uma civilização, são aquelas que têm sua razão de ser profunda na sua dependência mais ou menos direta, mas sempre desejada e consciente, em relação a uma doutrina cuja natureza fundamental é, em todo caso, de ordem intelectual; mas a intelectualidade pode estar em estado puro, e daí ficamos diante de uma doutrina propriamente metafísica, ou a intelectualidade pode muito bem estar misturada com diversos elementos heterogêneos, o que dá nascimento ao modo religioso e a outros modos dos quais uma doutrina tradicional pode ser suscetível.
Como temos dito, no Islã a tradição apresenta dois aspectos distintos, dos quais um é religioso, e é este ao qual se liga diretamente o conjunto das instituições sociais, enquanto que o outro é aquele que é puramente oriental, verdadeiramente metafísico. Numa certa medida, houve algo desse gênero na Europa da Idade Média, com a doutrina escolástica na qual a influência árabe se verificou, aliás, fortemente; mas é preciso acrescentar, para não ir muito longe com as analogias, que a metafísica nunca foi tão nitidamente distinta como deveria ter sido da teologia, isto é, em suma, distinta de sua aplicação específica ao pensamento religioso, e que, por outro lado, o que se encontra de propriamente metafísico não é completo, permanecendo submetido a certas limitações que parecem inerentes a toda a intelectualidade ocidental; sem dúvida, é preciso ver nessas duas imperfeições uma conseqüência da dupla herança da mentalidade judaica e da mentalidade grega.
Na Índia, estamos em presença de uma tradição puramente metafísica em sua essência, à qual vêm se acrescentar, como tantas dependências e prolongamentos, diversas aplicações, seja em certos ramos secundários da própria doutrina, como aquele que se liga à cosmologia, por exemplo, seja na ordem social, que é aliás estritamente determinada pela correspondência analógica estabelecida entre as respectivas formas da existência cósmica e da existência humana. O que aparece aqui muito mais claramente do que na tradição islâmica, sobretudo em razão da ausência do ponto de vista religioso e dos elementos extra-intelectuais que este implica essencialmente, é a total subordinação das diversas ordens particulares para com a metafísica, isto é, ao domínio dos princípios universais.
Na China, a separação muito nítida de que falamos mostra de um lado uma tradição metafísica, e, por outro, uma tradição social, que podem parecer inicialmente não somente distintas, como o são, com efeito, mas mesmo relativamente independentes uma da outra, mesmo porque a metafísica sempre permaneceu o privilégio quase que exclusivo de uma elite intelectual, enquanto que a tradição social, em razão de sua natureza própria, se impõe igualmente a todos e exige ao mesmo grau sua participação efetiva. Todavia, é preciso tomar cuidado com o fato de que a tradição metafísica, tal como é constituída sob a forma de "Taoísmo" é o desenvolvimento dos princípios de uma tradição ainda mais primordial, contida notadamente no Yi-King , e que é dessa mesma tradição primordial que decorre inteiramente, se bem que de um modo menos imediato e somente enquanto aplicação a uma ordem contingente, todo o conjunto de instituições sociais habitualmente conhecido sob o nome de "Confucionismo". Assim, encontra-se restabelecida, com a ordem de suas relações reais, a continuidade essencial dos dois aspectos principais da civilização extremo-oriental, continuidade que correria o risco de permanecer desconhecida quase que inevitavelmente, se não se soubesse remontar até sua fonte comum, isto é, até esta tradição primordial, cuja expressão ideográfica, fixada desde a época de Fo-Hi, se manteve intacta por um período de quase cinqüenta séculos.
Após esta tomada de conjunto, devemos agora marcar de um modo mais preciso o que constitui propriamente esta forma tradicional especial que chamamos de forma religiosa, depois marcar o que distingue o pensamento metafísico puro do pensamento teológico, isto é, das concepções em modo religioso, e também, por outro lado, o que o distingue do pensamento filosófico no sentido ocidental desta palavra. É nessas distinções profundas que encontraremos verdadeiramente, por oposição aos principais gêneros de concepções intelectuais, ou antes semi-intelectuais, habituais ao mundo ocidental, as características fundamentais dos modos gerais e essenciais da intelectualidade oriental.
Nota: (1) E. DOUTTÉ, "Magie et religion dans l'Afrique du Nord", Introdução, p. 5.
Escrito por Dídimo às 13h02
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 I - A LEI DA DISCIPLINA: Sê legionário disciplinado, que só deste modo sairás vitorioso. Segue ao teu chefe na boa como na má fortuna. II - A LEI DO TRABALHO: Trabalha. Trabalha cada dia. Trabalha com amor. Que a recompensa do trabalho não seja a ganância e sim a satisfação de ter posto um tijolo para glória da Legião e do florescimento da pátria. III - A LEI DO SILÊNCIO: Fala pouco. Fala quando seja necessário. Quanto seja necessário. Tua oratória é a oratória da acção. Tua obra, deixa que sejam os outros que a comentem. IV - A LEI DA EDUCAÇÃO: Deves converter-te em outro. Em herói. Faz toda a tua escola no cuib. Conhece bem a Legião. V - A LEI DA AJUDA RECÍPROCA: Ajuda o irmão a quem tenha ocorrido uma desgraça. Não o abandones. VI - A LEI DA HONRA: Caminha somente pela via da honra. Luta e nunca sejas vil. Deixa aos outros as vias da infâmia. Antes que vencer por meio de uma infâmia, melhor cair lutando sobre o caminho da honra.
Escrito por Dídimo às 13h47
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Julius Evola (1898-1974)  Julius Evola, Homem Livre por excelência e expoente máximo da defesa da Tradição integral, é hoje grandemente desconhecido do público, tendo menos de meia dúzia de obras traduzidas para português(!), quando a sua bibliografia ultrapassa substancialmente as cinco centenas de milhares de páginas A4 impressas em letra pequena. Conto ter amanhã uma pequena novidade para dar, um contributo que possa ajudar a ultrapassar o ostracismo a que votaram o Mestre, os seus escritos, pensamentos, ideias e desenhos. Para já, aqui fica uma nota biográfica do Barão, da responsabilidade de Arnaud Guyot-Jeannin, com tradução do leitor C.O.: Grande figura aristocrática da direita tradicionalista italiana, Giulio Césare Andréa Evola (que adoptará o prenome Julius por admiração pela Roma antiga), nasceu em Roma a 19 de Maio de 1898, no seio de uma família da pequena nobreza siciliana. Iniciando os estudos de engenharia, rapidamente renuncia para se consagrar às artes e ao estudo das grandes doutrinas filosóficas. Aos 16 anos, com o começo da primeira guerra mundial, Evola parte para a frente de combate para ocupar o posto de oficial de artilharia. Beneficia desses breves instantes de liberdade para estudar a obra de Nietzsche, Otto Weininger, Carlo Michelstaedter, sem esquecer os filósofos franceses (Blondel, Lagneau, Lachelier...). Terminada a guerra, frequenta, de forma apaixonada, diversos movimentos culturais italianos onde se misturam poetas, pintores, dadaístas... Ao período artístico (1915-1923) sucede-se o período filosófico (1923-1927). É desta forma que, em 1925, aparece o seu primeiro ensaio, «Ensaio sobre o idealismo mágico» seguido de «O Homem como potência», em 1926 (rebaptizado em 1949 como «O yoga tântrico, sobre o qual Marguerite Yourcenar dirá: Comprei uma daquelas obras que durante anos nos alimentam e, até um certo ponto, nos transporta). Evola consagra duas obras à sua visão antropológica do mundo: «Teoria do indivíduo absoluto» (1927) e «Fenomenologia do indivíduo absoluto» (1930). Entre ambas as publicações aparece «Imperialismo pagão» (1928). Obra violentamente anticristã, é editada no momento em que Mussolini e o regime fascista encetam fortes relações com a Igreja que culminarão com a assinatura dos acordos de Latrão, em 1929. Na sequência, e nomeadamente à luz da obra de René Guénon, Evola julga o «Imperialismo pagão» excessivamente anticristão, esperando que o mesmo não seja reeditado enquanto for vivo, apesar de continuar crítico pela ideia e pela atitude em relação ao cristianismo, sem por isso cair num anticlericalismo ridículo. Antes do aparecimento de «Imperialismo pagão», Evola já se tinha ilustrado na revista «Critica Fascista» de Giuseppe Bottai por um anticristianismo radical e um paganismo militante que não tinham agradado ao, muito oficial, «Osservatore Romano. Pelo contrário, o catolicismo medieval teve sempre o seu favor por ali encontrar uma espiritualidade heróica, solar, viril, integradora dos melhores elementos do antigo paganismo romano. Director da revista «Ur» e posteriormente de «La Torre» integra-se num grupo de esoteristas: o Grupo de Ur. Pratica magia operativa, isto é, a ciência experimental do eu. É nestes anos que Evola começa a fazer as perigosas caminhadas de montanha. Torna-se rapidamente num alpinista de alto nível. «La Torre», largamente inspirada nas teses de Guido de Giorgio, autor da «Tradição Romana», cessa de aparecer em 15 de Junho de 1930 por ordem de alguns hierarcas fascistas, após a publicação de 10 números. Mantendo o interesse pelo esoterismo Evola publica, em 1931, «A Tradição Hermética». Esta obra apaixonante é um estudo rigoroso sobre a corrente iniciática que se perpetuou na Idade Média, por detrás do paravento da procura alquímica. Em 1932 surge o ensaio «Máscaras e rostos do espiritualismo contemporâneo» que denuncia o que Oswald Spengler chama segunda religiosidade e René Guénon contra-iniciação, isto é, espiritualidade de pacotilha (ocultismo de supermercado, seitas...). A teosofia, a antroposofia, o espiritismo e a psicanálise são passadas ao crivo da crítica evoliana: Ler as obras espiritualistas, frequentar os cenáculos dos teósofos, meditar sobre o «hóspede desconhecido» de Maeterlinck, fazer energicamente os seus vinte minutos de meditação quotidiana, encher-se de fé na reencarnação que permitirá a cada alma prosseguir a sua evolução numa nova existência onde alcançarão os frutos do bom karma humanitário – tudo isto é, na verdade, um regime de auto-ajuda muito cómodo! Um livro visionário! Dois anos mais tarde (1934), a publicação mais importante do Barão Evola, «Revolta Contra o Mundo Moderno», provoca grande agitação. As reacções são muito mitigadas. Enquanto o filósofo hegeliano Giovani Gentile, historicista e fascista convencido – considerado como o filósofo do regime – emitia uma opinião hostil sobre a obra – por causa do pessimismo aristocrático que ali transparecia – o romeno Mircea Eliade fala de um livro importante e profético. O poeta alemão Godfried Benn, na época aderente do nacional-socialismo, felicita o autor e não hesita em declarar-se transformado. «Revolta Contra o Mundo Moderno» é um estudo crítico da modernidade julgada à luz dos princípios eternos da Tradição. O livro comporta duas partes. Uma que se propõe, O mundo da Tradição, a definir as categorias e princípios fundamentais e essenciais das sociedades tradicionais (a realeza, o símbolo polar, a Lei, o Estado e o Império, a virilidade espiritual, a iniciação e o sagrado, a cavalaria, as castas, a ascese...). A outra, Génese e rosto do mundo moderno, que desenvolve uma metafísica da história fundamentada sobre a polaridade masculino-feminino, tomando as palavras de Philippe Baillet, prefaciador, tradutor da reedição, e especialista incontestado de Julius Evola e do tradicionalismo integral. Esta parte expõe a doutrina das quatro idades, o antagonismo Tradição-Antitradição, nacionalismo-colectivismo, americanismo-bolchevismo. «Revolta Contra o Mundo Moderno» é uma obra de referência para aquele que quer romper definitivamente com o progressismo burguês. O ano de 1937 é marcado pelo aparecimento de duas obras: «O Mistério do Graal» onde Evola estuda os principais fundamentos históricos da tradição gibelina e «O Mito do Sangue» que constitui uma antologia das teorias racistas. Quando estala a Segunda Guerra Mundial Evola instala-se em Viena. Em 1941 publica «Sínteses e doutrinas da raça» livro que tenta definir positivamente uma raça do espírito por oposição aos critérios biológicos da época. Aí afirma: As raças puras, no sentido absoluto, não existem actualmente senão em raros indivíduos. Isso não impede que o conceito de raça pura seja tomado como um ponto de referência, mas em termos de ideal e de objectivo a atingir. Estas ideias não agradam nada aos dirigentes do Partido Nacional Fascista e à revista Diffesa de la Razza – da qual o chefe de radacção é Giorgio Almirante, futuro Secretário-Geral do Movimento Social Italiano (MSI) – que exalta a raça italiana numa concepção estritamente biológica. Benito Mussolini declara-se em sintonia com as ideias de Evola. No entanto, a oposição do racismo evoliano (racismo do espírito) ao racismo biológico é ambivalente. Com efeito, através de alguns artigos do pós-guerra, Evola critica os povos da África negra, a mestiçagem racial e a negritude americana. A ambivalência provém do facto que Evola, segundo os textos e as circunstâncias, refere-se ora à Tradição Universal preconizada por pensadores da Tradição como René Guénon, Ananda Coomaraswamy ou Frihjof Schuon, ora unicamente à Tradição europeia. Se Evola tem razão em estigmatizar a indiferenciação, também devia, em coerência, desejar que os países do terceiro Mundo se preservassem da ocidentalização mercantil americanocentrada. Não só não faz isso como cai na armadilha de um etnocentrismo racial europeu que não tem a sua razão de ser numa filosofia tradicional onde se deve exaltar não a espiritualidade para si mas a espiritualidade em si. Universalidade oblige! No mesmo ano, a editora vienense Scholl, publica uma pequena obra, com uma conferência pronunciada em alemão por Evola, em 7 de Dezembro de 1940, no Palácio Zuccari, em Roma, com o título de «A Doutrina de Luta e de Combate pela Vitória». Em 1943, junta-se à República de Saló, mais por fidelidade a Mussolini que por alinhamento ideológico. Nesse ano publica uma obra sobre a ascese budista, «A doutrina do despertar». Para ele, o budismo caracteriza-se por uma intensidade espiritual inultrapassável, uma vontade de poder, para retomar a expressão nietzschiana, levada ao paradoxo da metafísica conhecedora. Dois anos mais tarde, ainda em Viena, escapa por pouco à morte, durante um bombardeamento, ficando paralizado das duas pernas. Evola gostava de repetir frequentemente: Nunca se esquivar e mesmo procurar o perigo quase no sentido de uma silenciosa interrogação do destino. Evola regressa a Roma em 1948. Em 1950 aparece «Orientações». Esta pequena e entusiasmática obra, completada e rectificada por uma segunda edição em 1970, destina-se à juventude europeia. Os temas abordados são os mais variados: requisitório contra o primado da economia, condenação das democracias mercantis (Estados Unidos) e populares (União Soviética), crítica implacável do materialismo marxista-liberal, rejeição do nacionalismo, fidelidade à Ideia e, finalmente, adopção de um discurso tradicionalista elitista que visa a formação de um homem novo. Sempre disposto a desempoeirar as ideias e a dar uma doutrina séria, rigorosa e sem concessões, aos jovens do MSI, Evola escreve, em 1953, «Homens entre as Ruínas», onde propõe uma doutrina de Estado baseada na ideia de organicidade. Este Estado orgânico está nos antípodas do individualismo liberal e do socialismo colectivista: As hipóteses da acção revolucionária conservadora dependem essencialmente na medida na qual a ideia oposta, isto é a ideia tradicional, aristocrática e antiproletária, pode, também ela, juntar-se a este plano existencial para dar origem a um novo realismo e, agindo como «visão de mundo», modelar um tipo específico de antiburguês, substância celular das novas elites; para além da crise de todos os valores individualistas e irrealistas. Se «Homens entre as Ruínas» teve uma grande influência na juventude de direita radical italiana, pelo contrário, não teve nenhuma incidência nas instâncias dirigentes do MSI, inclinadas que estavam numa esclerose passadista e romântica do fascismo histórico. Em 1958 é publicado «Metafísica do Sexo». Evola estuda a função significativa do sexo masculino e feminino à luz das doutrinas tradicionais do oriente e do ocidente. A tese avançada por Evola é que o mundo moderno quebrou as verdadeiras potencialidades transcendentes do homem e da mulher. Trata de reabilitar-se a verdadeira metafísica do sexo, ou seja, reencontrar a unidade na diferenciação ontológica dos sexos e da verdadeira sexualidade. Argumentado sobre sólidas leituras que tratam da sexualidade – nomeadamente «Sexo e Carácter» de Otto Weininger –, «Metafísica do Sexo» representa uma das obras capitais de Julius Evola. No início dos anos 60, aparece o livro pior compreendido de Evola: «Cavalgar o Tigre». Como muito bem escreveu o seu amigo Adriano Romualdi: «Cavalgar o Tigre» é um breviário daquele que tem de viver num mundo que não é o seu sem se deixar influenciar por ele, seguro da sua invulnerabilidade. Com efeito, Evola exprime a ideia segundo a qual não só é necessário impedir o tigre (forças de dissolução) de nos saltar para a garganta, mas também, estando montados sobre o animal, termos finalmente razão. Não se trata, portanto, para o homem diferenciado de fugir do perigo (tigre), mas de destemor (cavalgar) para o anular (domesticar). Evola predica um niilismo activo que tem pouco a ver com o possibilitismo reaccionário-conservador de «Homens entre as Ruínas». Marxismo, democratismo liberal, existencialismo, racionalismo, vitalismo prometaico, nacionalismo patrioteiro, feminismo emancipatório, jazz e música pop, crispação burguesa no casamento e na família moderna... são alguns dos temas que Evola estuda e crítica à luz dos ensinamentos doutrinais do pensamento tradicional. As suas memórias autobiográficas são na realidade as memórias autobibliográficas, porque praticando a impersonalidade activa mostra-se pouco, aparecendo em 1963 sob o título de «O Caminho do Cinábrio». Ali evoca os seus vários livros, influências e encontros que o marcaram. O cinábrio é o sulfureto vermelho do mercúrio, composto no qual se reconhece os dois elementos de base da alquimia universal: o enxofre e o mercúrio (...). É por excelência a droga da imortalidade, se for vermelha (cor fausta e cor de sangue) dizem-nos J. Chevalier e A Gheerbant. Em 1964 aparece «O Fascismo visto da Direita, seguido de Notas sobre o Terceiro Reich»: Sem qualquer romantismo nostálgico e sentimentalista, esta crítica do fascismo não visa defendê-lo nem denegri-lo sistematicamente. Combatendo os ideais de 1789 em nome da grande tradição política europeia, Evola lamenta que o fascismo não se tenha inspirado nos princípios que teriam servido para a elaboração de uma verdadeira contra-revolução integral. O fascismo parece-lhe cheio de elementos burgueses, populistas, centralistas e totalitários. Recusa a ideia de um partido único que é, segundo ele, um Estado dentro do Estado e que não tem razão de existir num regime autenticamente antidemocrático. É preciso lembrar para a pequena história que Evola nunca pertenceu a nenhum partido e que, por causa disso, o seu pedido para ir combater o bolchevismo, na frente Leste, foi recusado. Evola mostra-se, também, muito crítico do materialismo biológico veiculado pelo nacional-socialismo. Prosseguindo infatigavelmente o seu trabalho doutrinário, Evola escreve numerosos textos que serão posteriormente publicados sobre a forma de colectâneas de textos («Meditação do cimo dos cumes», «Escritos sobre a Franco-Maçonaria», «O Arco e a Clava», «Elementos para uma educação racial», «Ensaios Políticos»... ). Falece em 11 de Junho de 1974, com 76 anos, no seu domicílio de Corso Vittorio Emanuele, em Roma. Um grande espírito tinha acabado de se apagar.
Escrito por Dídimo às 02h53
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Contra o Comunismo
Pela importância, reproduzo: A Declaração de Praga condena o comunismo por crimes contra a humanidade O nacional-socialismo alemão converteu-se na cara exclusiva do Mal no mundo. As embaixadas da Alemanha e de Israel, assim como o imprensa, protestaram porque um museu de cera na Tailândia usou como anúncio uma reprodução de Adolf Hitler. Ninguém, entretanto, teria protestado se a imagem em questão fosse de Joseph Stalin. Inclusive é habitual cruzar-se com gente que leva orgulhosa em sua camiseta a cara de um certo terrorista denominado Che Guevara. A Declaração de Praga quer acabar com essa impunidade do comunismo. Onde há governo ou onde tratou de fazê-lo, o comunismo cometeu genocídios e matanças sem conta, como a morte por fome de ao menos sete milhões de ucranianos ou a matança de Paracuellos del Jarama. A soma de mortos pelos criadores do Homem Novo supera os cem milhões de seres humanos. Todos conhecemos os campos de concentração do III Reich alemão mas, ao contrário, os lugares do horror comunista na URSS ou na China são quase desconhecidos. Pouco a pouco se vai quebrando essa impunidade intelectual. Em abril passado, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução na qual se propunha a adoção do dia 23 de agosto como o dia do pacto entre Hitler e Stalin, pelo qual ambos os ditadores repartiam o Leste Europeu, como o Dia da Lembrança das Vítimas dos Totalitarismos. Em Praga, cidade que sofreu os totalitarismos nazista e comunista, surgiu o projeto da Declaração de Praga. Nela se exorta autoridades e cidadãos europeus a criar o Instituto da Memória e Consciência da Europa que informe e investigue o comunismo e o nazismo, e um museu pan-europeu das vítimas de todos os regimes totalitários. Como afirmam seus criadores, não haverá uma Europa unida se não for capaz de antes unificar sua história e reconhecer o comunismo e o nazismo como movimentos responsáveis por genocídios. Convidamos nossos leitores a ler a Declaração de Praga e a assiná-la. Aqui há a parte essencial de seu conteúdo: DECLARAÇÃO DE PRAGA Tendo em conta o futuro digno e democrata de nossa comum pátria européia, - Considerando que as sociedades que esquecem seu passado carecem de futuro; - Considerando que a Europa não se unirá a menos que seja capaz de unificar sua história, de reconhecer o comunismo e o nacional-socialismo como um legado comum e de conseguir um debate sincero e profundo sobre todos os crimes totalitários do século passado; - Considerando que a ideologia comunista é diretamente responsável por crimes contra a humanidade; - Considerando que a má consciência que se deriva do passado comunista é uma pesada carga para o futuro da Europa e para nossos filhos; - Considerando que diferentes valorações do passado comunista ainda podem dividir a Europa em Ocidente e Oriente; - Considerando que a unidade européia foi uma resposta direta às guerras e à violência causada pelos sistemas totalitários no continente; - Considerando que a consciência dos crimes de lesa-humanidade cometidos pelos regimes comunistas em todo o continente deve informar a todas as mentes européias, na mesma medida que os crimes do regime nacional-socialista; - Considerando que existem similitudes entre o nacional-socialismo e o comunismo no que se refere a seus caráter horrível e espantoso, e a seus crimes contra a humanidade; - Considerando que os crimes do comunismo ainda necessitam ser avaliados e julgados desde os pontos de vista jurídico, moral e político, assim como do ponto de vista histórico; - Considerando que tais crimes foram justificados em nome da teoria da luta de classes e do princípio da ditadura do proletariado, que utilizam o terror como método para preservar o poder dos Governos que o aplicaram; - Considerando que a ideologia comunista foi utilizada como uma ferramenta em mãos de imperialistas na Europa e na Ásia para alcançar seus planos expansionistas; - Considerando que muitos dos autores que cometem e cometeram crimes em nome do comunismo ainda não foram levados ante a justiça, e suas vítimas ainda não foram indenizadas nem satisfeitas; - Considerando que o objetivo de proporcionar informação completa sobre o passado totalitário comunista, que conduza a uma compreensão mais profunda e ao debate é uma condição necessária para a futura integração de todas as nações européias; - Considerando que a reconciliação definitiva de todos os povos europeus não é possível sem um esforço potente para estabelecer a verdade e para restaurar a memória; - Considerando que o passado comunista da Europa deve ser tratado a fundo, tanto na academia como ao público em geral, e as gerações futuras devem ter fácil acesso à informação sobre o comunismo; - Considerando que em diferentes partes do mundo só uns poucos regimes totalitários comunistas sobrevivem, porém que, todavia, oprimem aproximadamente a um quinto da população mundial, e ainda se aferram ao poder cometendo delitos e impondo um alto custo para o bem-estar de seus povos; - Considerando que em muitos países, apesar de que os partidos comunistas já não estão no poder, não se distanciaram publicamente dos crimes dos regimes comunistas nem os condenaram; - Considerando que Praga é um dos lugares que sofreu tanto com o nazismo quanto com o comunismo, Estando convencidos de que os milhões de vítimas do comunismo e suas famílias têm direito a desfrutar da justiça, da solidariedade, da compreensão e do reconhecimento de seus sofrimentos da mesma forma que as vítimas do nazismo foram moral e politicamente reconhecidos, Nós, os participantes da Conferência de Praga Consciência européia e o comunismo, - Ante a Resolução do Parlamento Europeu sobre o sexagésimo aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, em 8 de maio de 1945, de 12 de maio de 2005, - Ante a Resolução 1.481 da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, de 26 de janeiro de 2006, - Ante as resoluções sobre os crimes comunistas adotadas por vários Parlamentos nacionais, - Ante a experiência da Comissão pela Verdade e a Reconciliação na África do Sul, - Ante a experiência dos Institutos da Memória e os Memoriais na Polônia, Alemanha, Eslováquia, República Checa, Estados Unidos, o Instituto para a Investigação de Crimes Comunistas na Romênia, os museus da ocupação da Lituânia, Letônia e Estônia, assim como a Casa do Terror na Hungria, - Ante as presidências atuais e futuras na UE e no Conselho da Europa. - Ante o fato de que 2009 é o vigésimo aniversário da queda do comunismo na Europa Central e Oriental, assim como dos assassinatos em massa na Romênia e no massacre da Praça de Tianamen em Pekin, Pedimos: 1. Chegar a um entendimento entre todos os europeus de que os regimes totalitários nazista e comunista devem ser julgados por seus próprios méritos terríveis, por ser destrutivo em suas políticas de maneira sistemática na aplicação das formas extremas de terror, da supressão de todos os direitos civis e das liberdades humanas, começando pelas guerras de agressão e, como uma parte inseparável de suas ideologias, o extermínio e a deportação de nações inteiras e grupos de população, e que como tais devem ser considerados os principais desastres que frustraram o século 20, 2. O reconhecimento de que muitos crimes cometidos em nome do comunismo devem ser qualificados como crimes de lesa-humanidade, de modo que constituam uma advertência para as gerações futuras da mesma maneira que os crimes nazistas foram julgados pelo Tribunal de Nüremberg, 3. A formulação de um enfoque comum a respeito dos crimes dos regimes totalitários, incluídos os regimes comunistas, e uma versão européia dos crimes comunistas, a fim de definir claramente uma atitude comum frente aos crimes dos regimes comunistas, 4. A introdução de uma legislação que permita aos tribunais de justiça julgar e condenar os culpados pelos crimes comunistas e compensar as vítimas do comunismo, 5. A garantia do princípio de igualdade de tratamento e não-discriminação entre as vítimas de todos os regimes totalitários, 6. A pressão européia e internacional para a condenação efetiva dos crimes do passado comunista e da luta eficaz contra os crimes comunistas em curso, 7. O reconhecimento do comunismo como parte integrante e horrível da história comum da Europa, 8. A aceitação por toda a Europa da responsabilidade pelos crimes cometidos pelo comunismo, 9. O estabelecimento de 23 de agosto, dia da assinatura do pacto Hitler-Stalin, conhecido como o Pacto Molotov-Ribbentrop, como um dia de lembrança das vítimas dos regimes totalitários nazista e comunista, do mesmo modo que a Europa recorda as vítimas do Holocausto em 27 de janeiro, 10. A reclamação aos Parlamentos nacionais para que reconheçam os crimes comunistas como crimes contra a humanidade, e modifiquem a legislação pertinente, 11. O debate público sobre o mal uso comercial e político dos símbolos comunistas, 12. A continuação das audiências da Comissão Européia com respeito às vítimas dos regimes totalitários, com vistas à elaboração de uma comunicação da Comissão, 13. O estabelecimento de comitês compostos por experts independentes nos Estados europeus que foram governados por regimes comunistas totalitários, com a tarefa de recolher informação sobre violações dos direitos humanos sob cada regime comunista totalitário em nível nacional, com o fim de colaborar estreitamente com o Conselho de Comitê de experts da Europa, 14. A elaboração de um claro marco jurídico internacional em relação a um acesso livre e irrestrito aos arquivos que contêm informação sobre os crimes do comunismo, 15. A fundação de um Instituto Europeu da Memória e da Consciência, que teria duas funções: A) a de um instituto europeu dedicado à investigação dos estudos do totalitarismo, o desenvolvimento de projetos científicos e educacionais e o apoio à criação de redes de institutos de investigação nacionais especializados no tema da experiência totalitária, B) e a de um museu memorial de âmbito europeu das vítimas de todos os regimes totalitários, com o objetivo de recordar as vítimas destes regimes e de dar a conhecer os crimes cometidos por eles, 16. A organização de uma conferência internacional sobre os crimes cometidos pelos regimes comunistas totalitários, com a participação de representantes de governos, parlamentares, acadêmicos, experts e associações, cujos resultados devem ser difundidos no mundo inteiro, 17. O ajuste e a revisão de livros de texto de história européia, para que as crianças possam aprender e ser advertidas sobre o comunismo e seus crimes, da mesma forma que se lhes ensinou a compreender os crimes nazistas, 18. A abertura de um amplo e profundo debate em toda a Europa sobre a história européia e a herança comunista, 19. A comemoração conjunta do 20º aniversário no próximo ano da queda do Muro de Berlim, do massacre da Praça Tianamen e da matança na Romênia. Nós, os participantes da Conferência de Praga Consciência Européia e o Comunismo, nos dirigimos a todos os povos da Europa, a todas as instituições políticas européias, inclusive os Governos e os Parlamentos nacionais, o Parlamento Europeu, a Comissão Européia, o Conselho da Europa e outros órgãos internacionais pertinentes, e os exortamos a abraçar as idéias e as propostas enunciadas nesta Declaração de Praga, e a convertê-las em medidas práticas e políticas.
Escrito por Dídimo às 15h31
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Nova Democracia
"Os verdadeiros chefes são aqueles que apenas assumem o poder por necessidade, porque não conhecem nem melhores nem iguais a quem essa tarefa possa ser confiada" Platão. Um interessante argumento acerca da democracia é que uma pessoa, dez pessoas ou mil pessoas que não sabem usar um computador não diferem, ou seja, o acréscimo de pessoas que não sabem fazer algo não vai melhorar o desempenho na feitura do trabalho. A simples permissão de votar para milhares de eleitores de modo algum fará com que o voto seja proveitoso ou mesmo aproveitável, principalmente se o eleitor for inépto. A exigência de uma democracia qualificada é urgente. Não é mais possível que os piores sejam escolhidos porque podem distribuir as dentaduras que compram votos de analfabetos. É preciso exigir de alguma maneira um voto mais qualificado, a minha proposta é que se exija segundo grau para votar, se se pode exigir ensino médio para catar lixo algo muito importante e que deve ser feito mas que não exige mais do que ter mãos, pernas e algum preparo físico, porque não ter essa exigência para escolher os rumos de seu município, cidade ou nação? O mesmo raciocínio deveria ser empregado para quem vai ocupar os cargos públicos, como podemos entregar nossa política nas mãos de desqualificados? Entretanto, esse é um momento bem mais complicado, as exigências podem ser muito elusivas e criar distorções em se referindo aos cargos majoritários, poderíamos entretanto exigir deputados federais e senadores letrados, sendo preciso que tenham um curso superior reconhecido para poder ser candidatos, no caso dos vereadores e deputados estaduais exigir que tenham ensino médio no mínimo. O processo democrático nunca vai garantir que apenas os melhores ganhem, uma deficiência intrinseca do próprio sistema, mas podemos fazer acontecer a retirada dos piores. Além da qualificação educacional deveria ser obrigatório a discussão de projetos como exigência legal para o registro das candidaturas e as campanhas se dariam em torno de debates televisivos, radiotransmitidos, sempre abertos ao público, nos municípios, estados e principalmente para a presidência. Estes debates seriam obrigatórios para os candidatos que se não comparecessem teriam sua candidaturas canceladas. Estas seriam algumas das Medidas para a qualificação do processo de escolha política.
Escrito por Dídimo às 14h13
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Racionalidade
Entro em uma nova discussão na qual o conceito de racionalidade é exigido, mas o que é racionalidade? É provável que o conceito de racionalidade seja um dos mais complicados de se abordar em filosofia, por muito tempo racionalidade foi confundida com lógica clássica. Depois dos estudos em lógicas não clássicas tal confusão começou a se desfazer, mas até hoje muita gente confunde as duas coisas. Pretendo, em alguma medida, me defrontar com esse problema em minhas pesquisas e quero, de alguma forma, responder a essa pergunta crucial, nem que seja de uma forma de tal modo restrita que caiba apenas em algumas circunstâncias. Para responder a pergunta acima vou tentar responder uma outra: tem como um ser racional ser irracional, mesmo que apenas em algum momento?
Escrito por Dídimo às 12h52
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Filosofia das ciências formais
XIII COLÓQUIO CONESUL DE FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS FORMAIS TEMA CENTRAL: FILOSOFIA DA MATEMÁTICA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
Informações adicionais: ppgfil@mail.ufsm.br
PROGRAMAÇÃO DO EVENTO:
Sábado, 24/10/2009:
20:30 – 21:00 Cerimônia de abertura 21:00 – 22:30 Conferência de abertura: Oswaldo Chateaubriand (PUC-Rio): Verdade e Conhecimento Matemático Frank Thomas Sautter (UFSM): moderador
Domingo, 25/10/2009:
10:00 – 11:00 Alexandre Noronha Machado (UFPR): Medição e Contingente a priori 11:00 – 12:00 Guido Imaguire (UFC): Sobre a Natureza da Lógica e da Matemática 14:30 – 15:30 Dirk Greimann (UFC): O Problema Júlio César 15:30 – 16:30 Marco Ruffino (UFRJ): O Problema Júlio César 16:30 – 17:00 Coffee-break 17:30 – 18:00 André Porto (UFG): Os naturais dados por Deus: indução e recursão 18:00 – 19:00 Paulo Veloso (UFRJ): Os naturais dados por Deus: indução e recursão
Segunda-feira, 26/10/2009:
10:00 – 12:00 Reunião PROCAD/CAPES “Aspectos lógico-filosóficos da negação” (restrita aos pesquisadores) 14:00 – 15:00 Jorge Molina (UNISC, UERGS): A crítica de Leibniz à geometria algébrica cartesiana: comparando programas de pesquisa 15:00 – 16:00 Oscar Esquisabel (UNLP): Leibniz: lógica, metafísica y matemática 16:00 – 16:30 Coffee-break 16:30 – 17:30 Wagner Sanz (UFG): A Noção de Construção Intuicionista e BHK 17:30 – 18:30 Javier Legris (UBA): Demostración, semántica y la concepción universalista del lenguaje
Terça-feira, 27/10/2009:
10:00 –11:00 Jaime Rebello (UFRGS): Ontologia e Entidades Matemáticas 11:00 – 12:00 Rogério Corrêa (UFSM): Sobre a Natureza das Operações no Tractatus 14:30 – 15:30 Carlos Miraglia (UFPEL): É a geometria de Kant visual? 15:30 – 16:30 Jairo José da Silva (UNESP): O Conceito de Estrutura Matemática 16:30 – 17:00 Coffee-break 17:00 – 18:00 Luiz Carlos Pereira (PUC-Rio): título a confirmar 18:00 – 19:00 José Seoane (UDELAR): Elucidando el concepto de demostración. Observaciones sobre Chateaubriand.
Quarta-feira, 28/10/2009:
10:00 – 11:30 Conferência de encerramento Abel Lassalle Casanave (UFSM): Demonstrações katholicas e demonstrações ectheticas Frank Thomas Sautter (UFSM): moderador
Escrito por Dídimo às 12h38
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Discussões interessantes
Tenho participado de muitas e interesssantes discussões nos últimos dias , vou tentar resumir algumas aqui. A primeira e a que me parece mais promissora é a respeito da dialética platônica. O que ela seria? acerca do quê Platão fala quando diz que é possível uma ascensão dialética? Seria algo intuitívo e místico ou o resultado de uma análise exaustiva de um dado conceito? Me pronunciei da seguinte forma na discussão: O grande problema é que até aí não há ascensão alguma, na verdade Platão se utiliza de um exemplo para mostrar que Glauco não percebe os intermediários e mostrar-lhe, então, com a ajuda da matemática que é em si uma intermediária, o que eles são. Logo após isso ele vai informar a Glauco, através de Sócrates o que é a verdadeira contemplação. Até o exemplo do quadrado o que ocorre é o entendimento, que é um intermediário entre a opinião e a ciência. Nesse intermediário "servem-se de figuras"... "para contemplar a essência daqueles seres que compreendem somente com o pensamento." Tudo isso está no segmento inferior da parte inteligível da linha que foi dividida, aquele que não pode superar as hipóteses. Fica claro apenas em 511 a-e o que é a dialética e fica ainda mais claro que a "geometria e as outras ciências" não passam de intermediários. Sublinhei o ciência acima pq para Platão apenas a dialética é a verdadeira ciência. A dialética pode estudar apenas o ser, pq "apenas o que é perfeitamente, pode ser perfeitamente conhecido". Como a ciência é a ciência do aparente, daquilo que pode ser experienciado ou calculado, ela não pode ser sobre o Ser, portanto não pode ser mesmo uma Ciência tal qual a dialética o é. Tal divisão, a da linha, dá uma idéia de hierarquia, uma idéia de ascensão de idéia para idéia, "numa ascensão contínua até à Ideia que ocupa o vértice da hierarquia, Idéia que condiciona todas as outras"...como o diz Reale e Antiseri. Tal Ideia incondicionada é Ideia do Bem. Assim, a dialética é a ciência do Bem, e o Bem é o único Ser, o princípio incondicionado de tudo. Nesse ponto é importante destacar que o exercício que se faz até aqui é sempre um exercício de análise de conceitos até chegar a um conceito que fundamenta todos os outros, então se há uma ascensão, ela é uma ascenção analítica e a dialética é a ciência da análise por excelência. Isso fica claro no seguinte trecho de 511b: "Aprende então o que quero dizer com o outro segmento do inteligível, daquele que o raciocínio atinge pelo poder da dialética, fazendo das hipóteses não princípios, mas hipóteses de fato, uma espécie de degraus e de pontos de apoio, para ir até aquilo que não admite hipóteses, que é o princípio de tudo"[...]"fixando-se em todas as consequências que daí decorrem, até chegar a conclusão...". Essa resposta se deu quanto a indagação pela ascensão dialética supostamente dada na República em 510e. Não me parece que haja incorreção na minha análise desse ponto, mas posso sempre estar enganado apesar de esperar que não. Uma outra questão interessante em que estive envolvido esses dias foi quanto a O que é melhor economicamente, o estatismo ou o liberalismo? Minha resposta é que apesar do liberalismo parecer, em muitos sentidos, melhor que o estatismo, seja o do modelo atual existente no Brasil conduzido pelo pseudosocialismo regente, que atualmente ataca com a criação de uma nova estatal na contramão do mundo moderno, seja o de outros socialismos quaisquer, ambos os regimes são ruins e nenhum deles é uma boa solução. E qual seria a solução então? Dada a impossibilidade de retornar ao tempo em que a profissão era a arte do profissional e a economia funcionava em vista de princípios maiores, o melhor é seguir um regime em que as questões econômicas não sejam o centro dos processos econômicos como se a economia se bastasse e a partir de si pudesse reger o mundo. Outras questões precisam receber o valor que merecem, dentre elas a educação tal qual defendida na proposta do educacionismo, mas isso ainda não é o bastante. O Mercado não pode ser o deus do mundo moderno, Deus é que precisa guiar o mercado. Uma economia baseada em valores é necessária e esses valores precisam ser maiores que a economia não tal como hoje que as pessoas valem o que tem.
Escrito por Dídimo às 21h11
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VII Semana Acadêmica da FIlosofia - UFRGS
de 14 a 18 de setembro de 2009, no Pantheon do IFCH Av. Bento Gonçalves, 9500 - Campus do Vale - Porto Alegre - RS
14/09 - 14h Paulo Faria (UFRGS) - "O que significa ler?"
15/09 - 14h Francisco Rüdiger (UFRGS) - "Heidegger e o pós-humanismo"
16/09 - 14h Kathrin Rosenfield (UFRGS) - "A dialética claudicante"
17/09 - 16h João Carlos Brum Torres (UCS) - "Política e Economia em Marx"
18/09 - 14h Eduardo Luft (PUCRS) - " A via descendente de reconstrução do sistema dialético"
E um aviso importante: as inscrições para trabalhos de estudantes da graduação estão abertas até o dia 07/09, às 00h. Regulamento e formulário de inscrição em www.blogdocadafi.blogspot.com.
Escrito por Dídimo às 18h31
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Valor das Coisas
Lendo o curioso livro do Professor e Senador Cristovam Buarque "O que é Educacionismo" me defrontei com o interessante problema do valor das coisas. De uma perspectiva filosófica o valor pode ser tratado como uma questão metafísica, Tomás de Aquino, assim como Aristóteles acreditava que as coisas tem valor intrínseco, metafísicos atuais retomam uma posição parecida, a esse tipo de posicionamente deriva do que chama-se essencialismo. O problema é que uma posição essencialista não pode ser aplicada ao universo de coisas com que convivemos. As coisas que são manufaturadas por nós, por exemplo, não tem valor intrínseco, elas possuem o valor que nós damos acrescido do valor de sua produção. E aqui o problema não é mais apenas filosófico. Esse problema daí em diante tem sido muito importante na vida de todos nós. Valor é um conceito filosófico, mas é também um conceito político-econômico, social e educacional, como em levanta o nosso autor. Pensando nos termos em que ele coloca, um produto possui um valor monetário, esse valor monetário deriva de várias perspectivas, dentre elas a filosófica. Assim, a um determinado produto, que é a coisa vista economicamente, é atribuido um valor em reais - se estivermos falando do Brasil-, esse valor em reais é estipulado levando em conta o valor da matéria prima, essa teria valor intrínseco, o valor da produção que seria a soma dos valores necessários a manufatura mais o valor do trabalho e,ainda, para desespero dos socialistas e comunistas, o lucro do produtor. Esse valor ainda pode ser acrescido dos lucros do atravessador e do vendedor e da mais-valia, conceito que não vou discutir. Mas como todos esses fatores influenciam no valor e o porque Cristovam está discutindo isso num livro sobre educação? Em primeiro lugar o livro não é sobre educação apenas, mas isso esclarecerei mais tarde. Mas o que interessa na questão agora são as duas fases do envolvimento da educação no processo de produzir um produto, rs. O primeiro envolvimento se dá no nível de projeto, que talvez seja a fase que mais influencia no valor, para pensar em um exemplo concreto podemos trabalhar com um barbeador de três lâminas que tem no mercado, ouvesse falar que as pesquisas afim de desenvolvê-lo custaram muitos milhões e envolveram engenheiros e designers, sendo assim, a qualificação educacional fica clara na fase de projeto. Mas, isso não é tudo. No outro extremo do produto a educação também é necessária, Cristovam diferencia operário e operador pra dizer que, sem educação o velho e bom operário não serve mais. E sobre o que é o livro então? Não apenas sobre educação...mas, é sim sobre educação. Ele propõe uma inversão nas prioridades do socialismo pensando o social como educacional, por isso educacionismo. A revolução não é mais pelas armas em defesa do socialismo, mas pela organização escolar e uma boa educação em prol do educacionismo. Então Cristovam acredita que a cada dia mais o trabalho braçal perde valor no valor do produto e a educação ganha mais valor no valor, rs. Se isso for verdade e me parece que é, então a proposta de escola de boa qualidade e acesso a ecola para todos é realmente revolucionária. Vale a pena ler o livrinho. Volto a falar sobre ele em postagens posteriores.
Escrito por Dídimo às 22h51
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